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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Orações para presos

Imagem: Prison Project (http://cpatejr.blogspot.com.br/2011/10/prison-project.html)

Orações para presos: Oração matutina

Deus, a ti clamo de manhã bem cedo
ajuda-me a orar e concentrar meus pensamentos
não consigo fazer isso sozinho.
***
Dentro de mim está escuro, mas em ti há luz
eu estou só, mas tu não me abandonas
eu estou desanimado, mas em ti há auxílio
eu estou inquieto, mas em ti há paz
em mim há amargura, mas em ti há paciência
não entendo os teus caminhos, mas tu conheces o caminho certo para mim.
BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e submissão: cartas e anotações escritas na prisão. São Leopoldo: Sinodal, 2003, p.190.
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Quem sou eu?

Manuscrito do poema "Quem sou eu?", escrito por Dietrich Bonhoeffer na prisão militar de Berlim-Tegel
na correspondência de 08 de julho de 1944, destinada ao seu amigo Eberhard Bethge.

Quem Sou Eu?


Quem sou eu? Seguidamente me dizem
que saio da minha cela
tão sereno, alegre e firme
qual dono de um castelo.

Quem sou eu? Seguidamente me dizem
que da maneira como falo
aos guardas, tão livremente,
como amigo e com clareza
parece que esteja mandando.

Quem sou eu? Também me dizem
que suporto os dias do infortúnio
impassível, sorridente e com orgulho
como alguém que se acostumou a vencer.

Sou mesmo o que os outros dizem de mim?
Ou apenas sou o que sei de mim mesmo?
Inquieto, saudoso, doente,
como um passarinho na gaiola,
sempre lutando por ar, como se me sufocassem,
faminto de cores, de flores, às vezes de pássaros.
Sedento de palavras boas, de proximidade humana,
tremendo de ira a respeito da arbitrariedade
e ofensa mesquinha,
nervoso na espera de grandes coisas,
em angústia impotente pela sorte de amigos distantes,
cansado e vazio até para orar, para pensar, para produzir,
desanimado e pronto para me despedir de tudo?

Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Sou porventura tudo ao mesmo tempo?
Perante as pessoas um hipócrita?
E um covarde, miserável diante de mim mesmo?
Ou será que aquilo que ainda em mim perdura,
seja como um exército em derradeira fuga,
à vista da vitória já ganha?

Quem sou eu?
A própria pergunta nesta solidão
de mim parece pretender zombar.
Quem quer que sempre eu seja,
tu me conheces, ó meu Deus,
sou teu.
Dietrich Bonhoeffer. Resistência e submissão: cartas e anotações escritas na prisão. São Leopoldo: Sinodal, 2003, p.468-469.